Foram cometidos erros primários. A organização contratou uma equipe sul-americana para dar suporte ao esquema todo e foi ai que aconteceram as maiores falhas. Aparentemente, quem fez as planilhas percorreu o traçado no inverno e não pensou que no verão tudo seria diferente. Como exemplo, citamos as condições das dunas no deserto, logo pela manhã as dunas são duras e suportam um bom tráfico de veÃculos. No entanto, no decorrer do dia, ao passo que o sol vai esquentado as areias, tudo fica diferente, as condições de tráfico vão ficando difÃcil devido ao calor.
No segundo dia da disputa teve um trecho de areia mole, que sempre foi o pesadelo dos participantes. Já nas terras castelhanas, o fenômeno foi pior que o africano, e assim grande parte da caravana passou a noite no deserto a espera de resgate.
Pior ainda foram os erros de planilha, que tiraram muitos competidores da disputa, quem não saia por acidente começou a abandonar pela falta de informações precisas. Foi assim que o lÃder da categoria carros, Carlos Sainz, saiu prejudicado na disputa. Sua planilha, como a dos demais competidores, não demonstrava um vale de uns cinco metros no trajeto e o espanhol se deu mal ao simplesmente saltar no vazio onde deveria ter solo como indicava a planilha. O acidente de Sainz ajudou outros competidores a não cometer o mesmo erro.
Mancadas a parte, este Dakar foi um dos mais difÃceis já disputados. E essa dificuldade toda foi mais fruto da inexperiência de quem fez a planilha do que do rali em si. As primeiras edições desse raid eram feitas na navegação pura, pois ainda não dispúnhamos de GPS. Assim como em outras modalidades do automobilismo de que foi pioneiro, o que se via era um misto de coragem e conhecimento, com carros, motos e caminhos que não estavam preparados para a aventura que viria.
Nas motos o vencedor, para quem ainda não sabe, foi o espanhol Marc Comá, esta foi sua segunda vitória no Dakar e uma das raras vezes em que o piloto liderou desde o primeiro dia a classificação geral das duas rodas. Como já disse antes, a primeira semana foi extremamente difÃcil, e Comá contou com o azar de Cyril Despres. Na segunda fase, Comá apenas seguiu o francês, que acabou em terceiro, mas sempre foi o homem que achava o caminho certo quando todos estavam totalmente perdidos. Seu problema foram os inúmeros contratempos com panes e pequenas falhas mecânicas.